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Escrever é muito mais do que uma mera paixão, é uma parte de mim!
Na poesia, os pensamentos, as ideias e as emoções ganham vida própria, deixam de ser uma parte do autor e rompem a fronteira do "eu" , abraçando, assim, outras realidades, outras vidas.
Nélson J. Ponte Rodrigues

sábado, 9 de julho de 2016

A Volúpia Que Cobiço

Tens a beleza que almejo,
O corpo que loucamente desejo.
Adoro humedecer os meus lábios nos teus,
Intensificar o bater dos nossos corações, soltar palavrões
Enquanto contorcemos os nossos corpos sem véus.
Gememos sem receio, namoramos sem freios.

Um dia sem ti parece um calvário.
Consegues converter o mundano em extraordinário.
Já não ouso reprimir o prazer resplandecente
Embora já o tenha feito com o meu tolo consentimento.
Oprimi durante tanto tempo a minha volúpia mais ardente.

Sim, já fui fulano, beltrano e sicrano.
Nómada sem abrigo, um corpo, um individuo.   
Já saboreei a nóxia solidão.
E já fui escravo da trépida ilusão.

Todavia, tudo mudou, pois agora o desespero finalmente sangrou.
Por vezes, foi difícil lobrigar a felicidade que permanecia tão distante.
Tudo parecia cinzento, a vida era deprimente, a saudade sempre presente.
A serendipidade perdeu-se, tornou-se ausente.
Perguntava-me por onde vagueava.

Finalmente, numa tarde de domingo, encontrei a mulher que me podia oferecer
Carinho, conforto, lealdade e prazer.
Nunca suspeitei que por detrás de um formoso olhar
Poderia encontrar um ser espetacular.
Tantas vezes, fui seduzido por belas pernas e peitos,
Cabelos sedosos, dentes brancos e bem moldados.
Desta vez, a sorte bafejou-me… (eu creio)
Quando a felicidade tarda tanto em aparecer, receio acordar e tudo perder.

Mereço ser feliz ao lado de alguém que retribua amor,
Pois já amei quem nunca o demonstrou.
Não se escolhe quem se ama.
Escolhe-se apenas quem se mete na cama.

No auge da paixão ainda não há amor,
Há apenas um tórrido e sufocante calor.
É essa vontade louca, esse apetite insano…
É essa acidez que consome corpos amorfos.

Alguns perseguem prazerosos momentos…
Ao invés disso, eu prefiro investir em sentimentos.
Sou atípico para muitos homens e mulheres.
Numa sociedade onde o prazer prevalecer ao saber,
É árduo deparar-me com alguém que entenda este meu parecer.
Atualmente, isso já não me pode comprometer.

Felizmente, encontrei um ser singular
Que sabe amar e fornicar como uma rameira.
No meu coração, não há lugar para uma segunda ou terceira,
Apenas há espaço para a primeira… Tu és a tal!

A volúpia que sempre cobicei não está entre as pernas
Que facilmente são abertas
E que deixam escorrer os fluidos que testemunham o prazer.
Sempre quis o que muitos declamam para agradar e algures pernoitar.

Tu seduziste-me com inteligência e uma leve pitada de indecência.
Soubeste conquistar o meu coração na perfeição.
Trair-te seria um puro ato de imperdoável demência.
Logo, de noite ou de dia, sei onde está o meu porto seguro, o amor que supera a razão.

Nélson José Ponte Rodrigues
09-07-2016



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